A Manipulação da Arte – O Falso – Bunny Girl e Violet Evergarden | Matéria

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Alguns pontos sobre a manipulação da arte posto contra Bunny Girl e Violet Evergarden. Lembrando que: isso não se trata de uma análise.



Seria possível transmitir, através de um show, as impressões verdadeiras da vida? O hálito fresco de uma noite chuvosa que se dissipa em um bom restaurante, lavado pelo azul da noite – é possível tocar nisso? É evidente que sim; na verdade, a virtude específica do cinema, na condição da mais realista das artes, é justamente ser o veículo de tal comunicação. A animação ainda mais além em sua capacidade de transitar entre mundos. E claro que tal reprodução de sensações da vida não é justificada apenas esteticamente. Uma obra deve ser, creio que, um relato preciso e também efetivo de uma verdadeira comunicação de sentimentos; visual e nas suas linhas. Muitas vezes, talvez na maior parte delas, o ‘falso’ é aquele que respira mais próximo do ‘real’. 


E é para lá que nos vamos hoje – não para a terra deles que entendem, como Yuasa e Omata, mas sim daqueles que pisam em falso; violet e bunny girl. Obras que buscam transmitir o amor de um casal e a beleza de uma flor desorientada, mas que no fim encontram-se em meio a um vale; ofensivo com o fã, falso em cada uma de suas esquinas. Examinaremos suas incapacidade em manipular algo genuíno. 

Manipulação?: 

“Mas não seriam todos os shows manipuladores?” Bem, sim, são, e este tipo de analise está sujeita a diferentes entendimentos. Dito isto, é um termo válido, especialmente em animes, que muitas vezes visa fazer uma conexão emocional ou (melhor:) satisfazer os desejos e preferências do espectador. 



A manipulação emocional, ou “falsa manipulação”, basicamente acontece quando um programa ataca um senso de drama, tristeza ou basicamente qualquer outra emoção que não tenha obtido organicamente; através da narrativa em si. Normalmente, simpatizar com um personagem requer primeiro entender esse personagem como um ser humano válido – quando você emprega manipulação emocional, você usa outros truques dramáticos para evitar a necessidade de caracterizar completamente seu personagem e explicar os riscos de seus sentimentos. Isso geralmente envolve algo como introduzir um personagem simples e, em seguida, fornecer imediatamente uma trágica história de fundo, na tentativa de fazer com que o público se preocupe apenas em sentir empatia e da projeção humana sem fazer o trabalho para fazer o público acreditar naquele personagem. Ou, tomar a mesma configuração mas mudando o agente – colocando personagens secundários frente a backgrounds tristes. Normalmente, quando os seus personagens estão preso no entendimento do seu criador do que é uma pessoa universalmente – legal, descolado ou belamente ingenua, olhe envolta, talvez você esteja neste buraco. 



A ‘má manipulação’ percorre o caminho da facilidade, mas também é os ecos da falta de mão para a escrita. Quando não se pode entregar verdadeiramente uma ideia, você acaba fazendo isso didaticamente (ainda que não de forma proposital); e lá habita a sensação de ”você está subestimando seu publico”. O artista sempre sonha alcançar a máxima compreensão, mesmo quando aquilo que oferece ao público não passa de um mero fragmento do que desejaria transmitir-lhe. É uma questão de confiar no seu público.

Atuações Teatrais:

Um dos braços de uma má manipulação é a atuação de seus personagens – escrita e direção estão embalados nisso. A natureza da interpretação cinematográfica é exclusiva
do cinema. Tanto animação quanto live-action. E claro que cada diretor/roteirista trabalha diferentemente com seus 
personagens (atores em caso de live-action). Os da Shion Miura são muito diferentes dos
de Makoto Ueda
, pois cada roteirista e diretor precisa de tipos humanos diferentes.



Sendo assim, vamos partir para cá: Jesus, Bunny Girl é realmente ruim. Se tratando da atuação de seus personagens, já tenho algumas notas a tomar. Sinceramente, fico a beira do constrangimento pelas convenções teatrais por parte deles, pelos usos imoderados de clichês teatrais antiquados, e pela maneira como forçam o tom das suas atuações. Antiquado é uma escolha talvez inconsequente da minha parte, em vista de ser uma atuação despejada temporada a temporada. Aqui, em Bunny, tentam tão desesperadamente serem engraçados sendo idiotas, serem realista sendo caricatos, ou expressivos em situações dramáticas, que fica cada vez mais evidente o quão tudo isso é fino. É vazio.  A animação não precisa de personagens que representem. Assim como o cinema não precisa de atores que “representem”. São insuportáveis quando assistimos, pois percebemos de imediato o que é que estavam pretendendo, e, mesmo assim, eles prosseguem obstinadamente, recitando o significado do texto em todos os níveis possíveis. Eles são incapazes de confiar em nosso próprio entendimento. “Porque só olha para minhas pernas?!” “São maravilhosas.” – é mais ou menos disso que estou me referindo.



Talvez me facilite o trabalho de despir Bunny Girl se eu trouxer um ponto de comparação. Irei atras de algo recente. Os personagens de Koi wa Ameagari, por comparação, nunca parecem anacrônicos. Não há nada de premeditado ou especial em seus desempenhos, a não ser a profunda verdade da consciência humana dentro das situações definidas pelo diretor/roteirista. Eles não representam personagens, mas vivem diante de nós suas próprias vidas interiores. Não existe nenhum tipo de “garoto apático que faz cantada nas meninas e diz frases legais” – o tipo de encenação feita para o publico que doí no fundo do estomago. Os personagens parecem nem mesmo suspeitar que suas vidas interiores possam ser observadas, testemunhadas. Eles vivem, existem, dentro de seus universos densos e restritos. E esse é o “segredo” de seus magnetismos.



Os diretores atuais usam constantemente estilos de representação que, sem dúvida alguma, pertencem ao passado. Olhemos para Violet, que se sentiu prejudicada por sua determinação em ser “expressiva” e significativa: o resultado é que a “parábola” pretendida adquire significado em apenas um nível. Como é tão comum acontecer, seu esforço no sentido de “estimular” o público resulta numa ênfase exagerada sobre as emoções dos personagens. É como se o diretor, com medo de não ser compreendido, fizesse seus personagens caminharem sobre coturnos invisíveis. Tudo é mais doloroso e mais torturante do que seria na vida real – mesmo o tormento e a dor, – tudo é descompassadamente grandioso. A impressão causada é de fria indiferença, pois aparentemente a/o autora(or) não entendeu seus próprios objetivos. É falso. Atuações que empurram ideias garganta abaixo do publico. 

Em uma história bem contada, o espectador terá empatia com o personagem porque ele tem uma perspectiva individual que o espectador pode entender e acreditar – o personagem pode não ser realmente nada parecido com o público, mas se o público puder entender de onde o personagem está vindo e porque o que é importante para ele é importante para ele, então o público pode simpatizar profundamente com ele e entender o significado dos eventos que lhe acontecem, porque o contexto está lá. Claro que isso em um contexto de alguma qualidade de escrita. Isso permite que uma rica variedade de experiências emocionais sejam transmitidas ao público – ao contrário da manipulação emocional, onde você basicamente tem que matar um filhote e brincar com a tendência natural do público de projetar muito de si em qualquer situação. Brincar, por exemplo, com a fácil simpatia do publico por casais que trocam palavras doces e brincadeiras. O telespectador se verá lá, e com isso se apegara ainda que falso. Ou, a simpatia por pessoas inocentes que se sentem perdidas em seu meio. Já a ‘escrita real’ de personagem, pode fazer com que o público sinta legitimamente novas experiências, isso porque eles estão adotando as sensibilidades de um personagem inteiramente fabricado que, por acaso, é cuidadosamente projetado o suficiente para se passar como uma pessoa viável. Isso sempre resultará em narrativas mais ricas e variadas, e transmitirá uma honestidade da experiência humana que a manipulação emocional só pode imitar jogando com os sentimentos existentes do espectador. A arte do cinema pode, e até mesmo diria que deve, transformar-se em um molde da alma do indivíduo.

Falso Realismo:

Infelizmente, a criação de um programa de sucesso como esse,  que transmite a honestidade da vivencia humana, exige uma reflexão de escrita e clareza de voz autoral que poucos animes realmente conseguem medir. Mas, obviamente, isso não é nenhum tipo de carta de Magic que desarma esse tipo de trítica a ‘falsa manipulação’. É uma queixa válida.



Alguns pontos interessantes de serem ligados sobre esses shows é a criação perfeita para negar vários tipos de pessimismos, onde podemos enxergar os problemas sendo defendidos como “foi feito para ser assim”. Assunto criado muitas vezes para facilitar personagens monótonos fazendo as coisas de formas monótonas. Uma garota mecânica com membros mecânicos, encarregada de imitar a empatia.  Um garoto indiferente, encarregado de imitar as reações de um verdeiro adolescente. Suas personalidades afetadas, muitas vezes de plastico, como algum tipo de boneca da nova coleção da Barbie, é explicada por suas próprias criações. Eles são assim “porque são feitos para serem supostamente assim”. “É realista.”  “Parece vazio porque é real.” É tudo muito egoísta. 



Contudo, é aqui, nesses casos, onde o conhecimento substitui esses contra-argumentos.  Onde a experiência é o que pode validar uma critica. Eu já fiz esse exercício na revisão de Violet, então vamos excluir ela dessa.  Daqueles inúmeros shows que tentaram capturar o tema de um ‘legitimo adolescente’ antes, há exemplos definitivos de “melhor”, não permitindo a aceitação livre do comportamento de boneco de um adolescente, apenas pelo fato de que as desculpas de realismo dadas o permitem. Um querido meu do ano passado chamado Just Because! (ironicamente do mesmo roteirista), mostrou atuações mundanas que rejeitaram o ‘cartunesco teatral’. Colocando aquelas atuações frente a Bunny Girl, fica obvio o quanto existe formas reais de encostar a mão sobre a superfície do realismo. Nós já sabemos como seria uma paixão juvenil que busca o verossímil porque vimos isso em Tsuki ga Kirei. Sabemos como seria para uma pessoa aparentemente apática ajudar as pessoas em razão de sua mascarada bondade, porque vimos isso com pedigree de escrita em Hyouka.  

Essas comparações conseguem destacar a fina camada de seu valor inerente. Contudo, isso pode ser ainda contra-argumentado com – “é diferente, são formas diferentes de representarem a mesma coisa”. Concordo – cada indivíduo tende a conceber o mundo conforme o vê, e do modo como toma consciência dele. Então farei o exercício de comprar essa “visão do real” de Bunny Girl. E nesse caso eu chamaria essa de uma visão superficial, barata e preguiçosa do “real”. “Os casais mais jovens quando apaixonados demostram intimidade e afeto” – você olhou para um casal, mas você não os entendeu (se quer se preocupou em) o que os liga; a velha emulação barata. Obviamente que isso pode funcionar, mas no fim é apenas um truque para não percorrer a forma correta das coisas. Caso você enxergue uma vez tudo perdera seu aparente valor. 

Assim acredito funcionar Violet e Bunny – uma emulação da vida, que não pode ser nada mais do que isso. Pode-se representar uma cena com precisão documentária, de modo a conferir uma grande semelhança com a vida real e, mesmo assim, realizar um show que em nada lembre a realidade e que transmita a impressão de um profundo artificialismo, isto é, de não fidelidade para com a vida, ainda que o artificialismo tenha sido exatamente o que os autores tentaram evitar. Muitas vezes, justamente o que é profundamente irreal acaba expressando muito melhor a própria realidade. 


A ‘falsa manipulação’ é basicamente como um truque de mágica – depois de que se vê o truque, não é mais mágica. Seu “poder emocional” vem do espectador investir seus próprios sentimentos na narrativa e, basicamente, “preenchendo as lacunas” do desenvolvimento imerecido, da química entre personagens ou do que quer que seja, com sua própria personalidade e emoções. Completando palavras bonitas com sentimentos apenas citados mas nunca concretizados; o efeito que eu diria acontecer em Bunny Girl e em menor nível em Violet. Drama duradouro ou personagens que realmente refletem a natureza humana e inspiram empatia por seus próprios méritos requerem um árduo trabalho que a manipulação emocional, a ‘falsa manipulação’, procura evitar.

Conclusão:

Fazendo uma avaliação baseada na reação do publico desses dois shows, eu diria que no fim –  essas talvez sejam duas pílulas facilmente digeríveis em um nível básico de entretenimento. Que é uma tag facilmente colocável nesses casos de ‘falsa manipulação’. A manipulação da arte se torna um problema quando você executa zoom analítico em algum nivel; nesses dois casos demanda bem pouco. Como já coloquei na ponta da caneta mais acima – é o truque de mágica que não deve ser visto. No fim, emolduramos esse efeito quando um programa pula o trabalho de fazer com que você se identifique naturalmente com uma situação ou personagem através da elaboração de sua perspectiva de uma maneira orgânica (mostrando), e em vez disso imediatamente tenta comprar sua simpatia com uma trágica backstory ou algo dizendo. São varas de pesca sendo jogadas. Isso pode ser eficaz, e te visgar, mas em si não são boas narrativas. 



Concluindo, há um fio comum a todos os pontos que me trazem meus principais problemas com Violet e Bunny Girl, e essa é a questão de personagens e eventos que parecem ser manipulados de forma barata. Isso acontece em todos os trabalhos de ficção, é claro (qualquer obra de arte que busque eliciar uma resposta emocional no espectador está tentando criar emoções que não estavam naturalmente lá, assim “manipulando emocionalmente” o espectador), mas há uma arte para tornar essa manipulação natural o suficiente para que você não perceba isso acontecendo, e essa arte não estava em evidência nessas obras para mim. Em relação a Bunny – ainda estou escrevendo de forma adiada (ep 8) o suficiente para que isso mude, e é extremamente crítico que isso aconteça se quiser construir uma verdadeira força emocional. Mas nada me leva a crer que o anime tenha a mão de escrita necessária para que isso aconteça. Toda arte é certamente manipuladora, é artificial, e apenas simboliza a verdade. De Inio Asano a Satoshi Kon. Isso é por demais óbvio. No entanto, o tipo de artificialismo que provém da falta de talento e de instinto profissional não pode ser colocado como estilo; quando o exagero não é inerente às imagens, não passando de uma tentativa e de uma vontade exageradas de agradar, estamos diante de um sinal de provincianismo e do desejo de ser notado como artista. Violet se revestindo de artesanais lagrimas, não é para qualquer outro fim que não seja exibir. A vazia troca de um casal que não nutre uma ligação genuína – dor ou alegrias verdeiras que partem de seus corações afogados, – apenas afaga os fãs. O que o público merece é respeito e um senso da sua própria dignidade. Não se deve soprar em seus rostos: trata-se de algo que até os cães e gatos odeiam.

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